Doença renal crônica e cardiopatia podem estar relacionadas a óbito por chikungunya, aponta pesquisa

Os resultados foram publicados na revista científica PLOS One. Artigo publicado com participação de pesquisadores da Rede de Pesquisa Clínica e Aplicada em Chikungunya (Replick) aponta que doença renal crônica e cardiopatia prévia são fatores que podem estar relacionados a óbito em pacientes diagnosticados com chikungunya (CHIK).


Presença de febre, dor abdominal, apatia, falta de ar, artrite e achados laboratoriais como leucocitose, leucopenia, trombocitopenia, neutropenia e linfopenia também foram observados como fatores de risco para a doença.


O artigo "Chikungunya Death Risk Factors in Brazil, in 2017: A case-control study" (Fatores de risco para óbito por chikungunya no Brasil, em 2017: um estudo de caso-controle) foi publicado esta semana, em 7 de abril, na revista científica PLOS One. A publicação apresenta os resultados da pesquisa de doutorado da enfermeira Rhaquel de Morais Alves Barbosa Oliveira, pelo Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Universidade Federal do Ceará (​​PPGSP/UFC); que teve como objetivo avaliar fatores de risco associados às mortes por CHIK que ocorreram durante a epidemia da doença, em 2017, na cidade de Fortaleza/CE. Oliveira foi orientada pelo pesquisador da Replick Luciano Pamplona de Góes Cavalcanti.


O projeto contou com apoio financeiro da Replick, por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia (DECIT/MS) e parceria e apoio das Secretarias da Saúde do Estado do Ceará (SES/CE) e do município de Fortaleza (SMS), do Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen/CE), do Centro Universitário Christus e da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap). No período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2017, em Fortaleza/CE, foi realizado um estudo de caso-controle pareado (1:2), no qual para cada óbito por CHIK confirmado laboratorialmente, foram avaliados dois casos-controle de CHIK, com confirmação laboratorial, que não evoluíram para óbito. Os grupos foram separados por sexo, idade (± 5 anos) e bairro de residência. Ao todo, 82 casos de CHIK e 164 controles foram incluídos na pesquisa. Observou-se, entre os óbitros, a predominância de indivíduos do sexo masculino (56,1%) e pessoas de cor parda (58,5%). A morte ocorreu majoritariamente na fase aguda da doença - em até 20 dias (49,4%), seguida pela fase pós-aguda - 21 a 90 dias (45,8%), e por último em fase tardia - após 90 dias (2,4%). Considerando o histórico clínico dos indivíduos, o grupo observou que pessoas com doenças cardíacas crônicas e doença renal crônica têm maior probabilidade de evoluir para óbito. Além disso, observou-se que ter um quadro de febre - sintoma comum da doença - aumentou a probabilidade de morte em 16 vezes.


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