Comitê de Investigação de Óbitos por Arboviroses no CE apresenta resultados preliminares

O alto número de notificações de óbitos por Chikungunya no estado do Ceará em 2017,representando 80% dos casos brasileiros, motivou um grupo de pesquisadores, entre eles Luciano Pamplona, integrante da Rede de Pesquisa Clínica e Aplicada em Chikungunya (Replick), a elaborar o artigo "Experiência do Comitê de Investigação de Óbitos por Arboviroses no Ceará em 2017: avanços e desafios".

O trabalho foi publicado no volume 28, número 3, da revista Epidemiologia e Serviços de Saúde, de dezembro de 2019 e visa descrever a experiência e os resultados preliminares obtidos por este comitê no referido estado.

No ano de 2017, o estado do Ceará notificou a maior epidemia de Chikungunya no Brasil, com 137.424 (73,9%) casos. Houve também a circulação de dengue e Zika, com 24.879 e 2.343 casos confirmados, respectivamente. Diante do aumento no número de óbitos suspeitos de arbovírus percebidos nos últimos anos no estado, a Secretaria de Saúde do Estado do Ceará instituiu, em novembro de 2016, um comitê multidisciplinar e interinstitucional para investigar este fato.

O grupo envolve especialistas das áreas de infectologia, epidemiologia, patologia, clínica, farmácia, enfermagem, fisioterapia e biologia, lotados em setores como vigilância epidemiológica, assistência, unidade hospitalar de referência em doenças infecciosas, laboratório de Saúde Pública, universidades e serviço de verificação de óbitos. Estabelecido, o comitê passou a debater todos os casos suspeitos de óbitos por arbovírus notificados pelo sistema de vigilância epidemiológica do Ceará. As informações foram coletadas através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) ou diretamente nas unidades de saúde.

Como resultado, em 2017, foram notificados à SES-CE 443 óbitos possíveis por arboviroses, sendo 70,4% suspeitos de Chikungunya, enquanto 29,6% por dengue. Já entre os casos confirmados, 81,4% foram definidos por critério laboratorial cujo resultado foi positivo por pelo menos uma técnica, entre as disponíveis, e os outros 18,6%, por critério clínico-epidemiológico. Desse número, o município de Fortaleza representa 74,2% dos óbitos confirmados do estado. Segundo os autores, “os óbitos por Chikungunya apresentam características muito distintas dos óbitos por dengue, quando considerado o tempo de doença até o óbito e a mediana de idade dos casos. Enquanto as mortes causadas pela dengue ocorreram, com frequência, durante a primeira semana de doença, esse padrão não se repetiu com os casos de Chikungunya, cuja maior parte dos óbitos parece ocorrer durante a fase pós-aguda ou mesmo crônica da doença. Isto traz um desafio a mais para a investigação desses óbitos, porque, normalmente, a infecção descompensa doenças de base, dificultando a investigação para encerramento da real causa do óbito”.

A íntegra do artigo, que tem como autores Luciano Pamplona de Góes Cavalcanti, Adriana Rocha Simião, Pâmela Maria Costa Linhares, Francisca Kalline de Almeida Barreto, Rhaquel de Morais Alves Barbosa Oliveira, da Universidade Federal do Ceará; Kiliana Nogueira Farias da Escóssia, Antônio Afonso Bezerra Lima, Kilma Wanderley Lopes, Deborah Nunes de Melo Braga, Regina Lúcia Sousa do Vale, Antônio Silva Lima Neto, da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará; Izabel Leticia Cavalcante Ramalho e Leda Maria Simões Mello, do Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará; e Fernanda Montenegro de Carvalho Araújo, do Centro Universitário Christus; pode ser conferido aqui.

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